Comida e blablablá

O que aprendi nos três dias de Oxford Symposium on Food & Cookery?

– faz muito calor na Inglaterra

– embora o quartinho do alojamento fosse razoavelmente confortável, a arquitetura moderna de Arne Jacobsen, que foi quem projetou os prédios do St. Catz College, não foi páreo para o Saara Mood. Os inquietos ventiladores de chão eram tão xinglings quanto os que a gente encontra nas lojinhas da R. 25 de Março

– debaixo de tais temperaturas, qualquer tentativa de ser elegante resulta vã

– o mundo do conhecimento ainda se divide entre americanos entusiasmados e ingleses bibliófilos

– catalogar e reunir é o trabalho mais nobre de todos. Curiosidade nunca é demais

– não existe salmão selvagem no mundo, esqueçam o mito da pureza de uma vez por todas

– os foodies sem-noção dominarão a terra

– ninguém lembra da fome do outro

– quase ninguém fala de sexismo ou misoginia

– o Slow Food não deu certo no Reino Unido

– blogueiro que trabalha com jabá na Europa é marcado com o selo da vergonha. Há um código de ética no Reino Unido que exige a hashtag #sp (de “sponsored”, ou patrocinado) em postagens de produtos, viagens bancadas por marcas ou qualquer outro tipo de comunicação que envolva algum benefício financeiro. Ah, se a moda pega por aqui…

– o sucesso dos mangás de comida do Japão explica a pirâmide demográfica e o desinteresse dos japoneses em fazer sexo

– a TV nunca dará conta da complexidade das relações em torno da comida, diz Diana Henry, escritora e ex-produtora dos melhores programas de culinária da BBC e do Channel 4; o rádio dá conta sim, por incrível que pareça. The Kitchen Sisters, as produtoras independentes de programas sobre comida da NPR (estação pública de rádio dos EUA), representam o casamento mais feliz entre jornalismo e comida que existe

– a máfia italiana continua destruindo plantações inteiras de azeitonas e uvas no sul do país

– havia (e há) cadernos de receita feitos em campos de concentração, gulags e prisões de guerra

– o suplemento de comida do Los Angeles Times (que foi editado pela grande escritora Ruth Reichl nos tempos áureos) era chamado de “matador de cães” (dog killer), de tão pesado que era. Não faltavam anúncios. Saía com 72 páginas semanais

– há AINDA quem acredita que grupos étnicos que comem direto de bandejas, com as mãos, precisam ser ensinados a comer com garfo e faca. E que diga isso num microfone, publicamente, dentro de uma universidade

– Claudia Roden, Ann Willan, Barbara Ketcham Wheaton e Laura Shapiro existem. ❤

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